A sommelière Gabriele Frizon falou com a Pró-Vinho sobre sua carreira, suas inspirações e deu dicas de como tornar o vinho mais acessível aos consumidores
Filha de gaúchos, nascida em Primavera do Leste (MT) e criada na cidade de São Paulo, Gabriele Frizon divide seu tempo entre a função de gerente comercial da importadora Belle Cave, professora nas escolas Eno Cultura e ABS/SP e sua consultoria independente em vinhos e hospitalidade para o setor de alimentos e bebidas, que exerce desde 2017. “E está nascendo mais um projeto, que deve ser divulgado ainda no primeiro semestre deste ano”, comenta ela, com energia que parece infinita.
Gabriele Frizon é graduada em Hotelaria pela Universidade Anhembi Morumbi, com dupla titulação hoteleira pela instituição suíça Glion Institute of Higher Education (2008), e tem tido grande atuação no mercado de vinhos. “Fui a única aprovada na Certificação Brasileira de Sommeliers em 2016”, declara ela, que hoje está entre os 60 brasileiros homologados nos moldes da Association de la Sommellerie Internationale, aplicada pela Associação Brasileira de Sommeliers – ABS, no Brasil.
Completa seu currículo o certificado Level 3 Advanced Certificate In Wines & Spirits, da instituição inglesa Wine & Spirits Education Trust – WSET, e Court of Master Sommeliers – CMS / Introductory, entre outras certificações complementares. A seguir, você conhece um pouco mais sobre Gabriele Frizon.
O que motivou você a seguir a carreira de sommelier?
Sou filha de restaurateur [Celso Frizon], cresci nesse universo. No fim dos anos 1990, meu pai já revendia em São Paulo vinhos de pelo menos 30 produtores brasileiros, incluindo os desconhecidos até aquele momento, Miolo, Don Laurindo e diversos outros nomes que hoje são referências brasileiras. Eu acompanhava as negociações e as degustações de vinhos (fiz a minha primeira degustação aos 12 anos). Seria quase impossível seguir outro caminho que não o da hospitalidade e dos vinhos.
No perfil do Instagram “A Louca do Jerez” você compartilha a sua paixão por este vinho. Como foi este encantamento?Conheci os vinhos de Jerez em uma degustação na ABS/SP em 2006, quando iniciei os estudos profissionais para sommelière. Foi paixão à primeira prova! Em 2014, participei da primeira Sherry Week e, desde então, entendi que Jerez merecia ser disseminado para além das adegas particulares de sommeliers e “connoisseurs”. Assim, nasceu A Louca do Jerez, um perfil dedicado à divulgação desse estilo de vinho que além de postagens abrange importação, comércio e educação.

Entender de vinho e todas as diferenças existentes entre uvas, países, regiões e estilos é complicado e demanda estudo. Mas, para começar a beber vinho, não precisa estudar antes. São caminhos completamente diferentes
E o projeto “Minas que resolvem seu vinho”?
Este projeto nasce do enorme desejo em ver tantas mulheres mais unidas e atuantes no mercado de vinhos, que por muito tempo foi dominado majoritariamente por homens. A ideia inicial era primeiro mostrar que somos muitas profissionais espalhadas pelo Brasil todo e, num segundo momento, poder concentrá-las em um único local, o que facilitaria a busca por profissionais no caso de contratações. O projeto no meu Instagram é um piloto que deve ganhar uma plataforma em breve.
Você acredita que as degustações on-line vão permanecer no pós-pandemia?
Acredito que permanecerão como forma de encurtar distâncias e não apenas como solução para distanciamento social. Creio que tenha sido uma excelente alternativa para este momento, mas sem dúvida um evento presencial gera mais engajamento e resultados que eventos on-line.
O que é preciso fazer para descomplicar o vinho?
Eu acredito que a indústria precisa pensar em produtos para todos os estágios de consumo. Um iniciante precisa começar bebendo vinhos simples e baratos. Temos uma crescente de vinhos em latinha, litrão, bag in box, que começam a suprir um pouco desta defasagem; vinhos que é só abrir e beber. Não falo em descomplicar o vinho, costumo falar em oferecer vinhos acessíveis para que mais pessoas, que atualmente bebem outras bebidas, possam ingressar no universo do vinho. Depois de lá estarem, aí pode-se pensar em educação e ensino. Para isso, existem milhares de cursos e formas de acesso às informações sobre vinho. Mas o primeiro passo é acessar essa fatia de mercado potencial com produtos adequados.
Quais as suas regiões vinícolas favoritas?
Jerez (Espanha), claro! Mas sou apaixonada também pelo Mosel (Alemanha), pela Borgonha (França) e pelo Piemonte (Itália).
Indique 5 vinhos para os leitores da Pró-Vinho:
• Vallontano Chardonnay 2019 – Mistral
• Pfaffmann Riesling Trocken 2019 – Weinkeller
• Château Le Devoy Martine IGP Vin de Pays du Gard 2018 – Belle Cave
• Cara Sucia Cereza 2018 – Dominio Cassis
• Sánchez Romate Manzanilla Viva la Pepa (reposição no início de maio) – Belle Cave

